10 outubro, 2008

TMNT - PS2


Entre o fim da década de 80 e começo de 90, "As Tartarugas Ninjas" foi uma grande febre. Nasceu como uma obscura (e violenta) história em quadrinhos, mas foi transformado em algo bem mais palatável para a TV. Quem mais agradeceu esse sucesso devem ter sido os fãs de videogames, pois as quatro tartarugas mutantes geraram clássicos, principalmente para fliperama e o Super NES.
No século 21, depois de um tempo esquecidos, eles retornaram para a mídia. E a Konami também tentou reeditar o sucesso que tivera na primeira onda. Mas agora em vão. O resultado foi a produção de quatro títulos lamentáveis. Agora, com um filme em computação gráfica para estrear nos cinemas, a franquia, nos games, mudou de mão: do Japão para a França, foi parar nos estúdios da Ubisoft.
Da Pérsia para Nova YorkSe antes o foco eram as habilidades de combates das tartarugas, a produtora francesa parece ter enxergado em sua clássica trilogia "Prince of Persia" a fórmula ideal para as quatro tartarugas ninjas. É exatamente esse o estilo de "TMNT", uma mistura de ação com plataformas e lutas.
Apesar de o game se basear no filme, os enredos não parecem ser os mesmos. No game, a história é contada em forma de flashback, sobre as aventuras individuais de Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael. Sim, essas tartarugas têm nomes de artistas renascentistas.
"TMNT" é claramente voltado para um público mais novo, o que faz sentido tendo em vista a obra original. Mas parece que a Ubisoft cai numa armadilha comum: subestima os jogadores. E no final das contas acaba por desagradar a gregos e troianos, ou, no caso, os usuários pequenos e também os mais experientes.
Em última instância, não há desafio no jogo, pois não existe "game over". Você pode perder toda sua energia, pois, mesmo assim, basta ficar apertando o botão indicado para retornar à ação, do mesmo ponto, como se nada tivesse acontecido. Se cair de um precipício, o máximo que acontece é ter de repetir um pequeno trecho.



Trabalho de pernas, braços e cascos
Há duas partes bem distintas no game, que ficam se intercalando: as cenas de acrobacias em plataformas e as de combate. No caso desta, trata-se de uma mecânica simplória. Na prática, há apenas um botão para fazer os combos. Até existe outros tipos de golpes, mas a seqüência comum é mais que suficiente, desde que você consiga acertar os oponentes, o que não é exatamente fácil. No caso, é melhor soltar o direcional durante os golpes, para que a mira automática funciona corretamente.
Os oponentes, que se repetem à exaustão, têm a proatividade de um boneco de posto. Pode ter dez inimigos na tela, mas o máximo que eles fazer é cercar o personagem. De vez em quando, um deles se lança para soltar um golpe. Vale mais receber o ataque e continuar massacrando os botões. Mas não importa, afinal, você nunca morre mesmo.
Já as habilidades atléticas, que compõe a maior parte de "TMNT", são um pouco melhor. Os movimentos parecem ter saído diretamente de "Prince of Persia": as tartarugas correm ao longo das paredes e pulam sucessivamente usando-as como apoio. E claro, podem saltar uma segunda vez em pleno ar. Mas cada membro do quarteto também tem suas habilidades específicas: Rafael pode usar sua arma para escalar determinadas paredes e Michelangelo voa como um helicóptero com seu nunchaku.
As fases exploram bem essas habilidades, mas isso perde o frescor rapidamente. Depois de pouco tempo, o desenho dos mapas fica cansativo, repetindo os mesmo truques e desafios. Muitos dos obstáculos têm uma dificuldade baixa, mas também há uma série de superação mais complicada, desproporcional com o nível de seu público-alvo primário.
Aos jogadores mais experientes, o desafio é insuficiente. O challenge map, que se abre quando se tira uma boa avaliação no modo de história, também não consegue convencer esses usuários. E esse é praticamente todo o conteúdo de "TMNT": nada de multiplayer ou afins (somente alguns extras, como vídeos e truques, como deixar os personagens com uma cabeça enorme). Isso contrasta com os antecessores, que foram multijogadores por natureza. A única pontinha de colaboração entre as tartarugas é quando se usa golpes combinados.
Tartarugas para todos
Os controles funcionam corretamente na maioria das vezes, mas às vezes é difícil acertar o alvo ou ativar a corrida na parede. Se bem que a câmera, que é fixa, também não ajuda nessas horas. No Wii, os golpes são feitos com gestos, mas isso tem mostrando que é uma fórmula muito cansativa e não é exceção desta vez. A edição para PC fica bem melhor com um controle como os dos consoles, visto a natureza do jogo.
Os gráficos são competentes, principalmente no que diz respeito aos cenários. A Ubisoft tentou variar os mapas, e teve sucesso nisso, ao menos na parte visual. A composição é harmônica, apesar de um pouco "quadradinha". Um pouco de curvas e modelagens mais complexas poderia ter melhorado o acabamento do ambiente. O estilo empregado não foi o cel shading, que imita desenho animado, mas um grafismo mais tradicional. Os "bonecos" são um pouco mais simples que os cenários; os oponentes, principalmente, são genéricos.
Todas as edições se equivalem. A melhor versão é, obviamente, para o Xbox 360, mas não está tão distante dos outros consoles, como o PlayStation 2. Tem apenas umas "firulas", como uma iluminação e texturas mais sofisticadas e mais definição, mas também, estranhamente, é a mais instável de todas: a tela engasga com mais freqüência. O Xbox 360 tem a vantagem das conquistas, que foi pensado nos mais novos: a maioria é liberada passando de fases ou usando as habilidades dos personagens. Por outro lado, decepciona a edição do Wii, que é exatamente igual a do GameCube.
O trabalho sonoro tem qualidade. A trilha musical não vai ficar gravada na memória, mas funciona bem dentro da proposta de um título de ação. As dublagens também convencem com seu estilo cartunesco, tal e qual as das obras originais. Apenas irrita as frases ocasionais que aparecem de tempos em tempos, muito repetitivos.


 
Tamanho: 1.11GB
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